domingo, 19 de setembro de 2010

Quando o "eu" fala mais alto

Falar de personalidade é abrir horizontes de discussões, principalmente quando se trata de algo subjetivo, pessoal, em que o "eu" é classificado como um pronome de desabafo e emoções. Na verdade o que é personalidade? Por que a temos? No que ela consiste?
Personalidade não se limita a uma tábua rasa que surge gradativamente e se fixa ainda na adolescência. Mais do que isso, ela funciona como identidade psicológica, característica única que difere um ser de outro. Como possuidor de uma personalidade vejo como esta sofre influência de fatores endógenos e externos do mundo.
Ninguém tem dúvidas de que a família é um espaço determinante na formação de um ser. Basta olharmos para nosso ego que percebemos as semelhanças que possuímos de nossos familiares e o quão suas influências são relevantes na nossa formação. Vamos imaginar um pai que ensinou o filho a roubar; é provável que ele se acostume e ache esta uma ação natural. Portanto, para esse filho, ver roubo é algo natural, algo que já passou a fazer parte de sua personalidade.
A mídia mais do que nunca tem seu "atestado" de contribuição na formação psicológica. Ver cenas de sexo, adultério, crime, fará dogmas. Principalmente na infância quando a personalidade ainda está em formação. Além do mais a mídia manipula e impõe uma personalidade a ser seguida.
Já se dizia Mendel, que o meio era o fator primordial na formação do ser, ou seja, o meio em que vivemos e as pessoas que convivemos nos transmuta. A psicóloga americana Judith Harris diz que no meio, o fator fundamental da mudança de personalidade são os amigos.
Enfim, personalidade é mais que ter características de um meio, um pai, uma mãe. Personalidade é o consciente que singulariza o eu e o torna único em um planeta diversificado chamado Terra.

2 comentários:

  1. João Felipe, que amor poder desfrutar de uma tão transcendente leitura! Aliás, gostaria até de compartilhar com você uma experiência: Tenho estudado muito o ato de 'transcender-se' em Teologia. É algo muito interessante, presente a todo momento na nossa vida e por mais estranho que se possa parecer, é algo tão pouco mencionado. Ler seu blog, me faz transcender!
    Estou adorando e me intrigando cada vez mais, pois confesso de desde o primeiro dia de leitura, fiquei bastante feliz por saber que sua capacidade ímpar de escrever coisas tão engrandecedoras me faz ter motivos pra seguir adiante cada vez mais.
    E quanto à personalidade, espelharei-me na sua através de uma frase: "Toda a obra de arte é uma personalidade. O artista vive nela, depois dela ter vivido longo tempo dentro dele."

    Obrigada por escrever e me fazer ser mais feliz!

    ResponderExcluir
  2. Faz muito tempo que eu li esse seu post, mas no dia não deu tempo de comentar. Confesso que me surpreendi positivamente e vejo que você soube construir a sua personalidade da melhor forma possível; talvez porque teve o privilégio de ser fruto de uma família presente ou também porque você soube selecionar os estímulos que chegaram até você. E isso é muito bom.

    O que eu sei é que a formação humana talvez seja uma das questões mais complexas e eu tenho fé de que o que interfere decisivamente nesse aspecto é a EDUCAÇÃO que recebemos. E a educação não é só ESCOLA. É família, igreja, amigos, televisão, filmes, teatro... O problema é que algumas dessas instituições acabam utilizando a estratégia de manipular a mente das pessoas para que elas respondam de forma positiva ao sistema capitalista. Por que formar pessoas críticas, se há a possibilidade de que futuramente elas façam uma revolução e causem problemas para o sistema? O mundo não quer pessoas esclarecidas, isso pode ser perigoso. O mundo quer pessoas que não compreendem e não questionam nada. Ele quer escravos alienados do capitalismo.

    ResponderExcluir